Ajuste fino dos equipamentos de kitefoil em nível de competição

A equipe do GoKite teve o prazer de entrevistar o velejador de nível internacional Wilson Veloso, mais conhecido como Bodete, com o objetivo de dar dicas sobre a importância dos ajustes dos equipamentos de Kitefoil para regatas.

Bruno Lobo, Bodete, Arthur e Claudio

 

1 – Pensando em tirar proveito da máxima performance da vela foil, qual a importância de ter um ajuste fino das linhas dos cabrestos?
É super importante ter as linhas reguladas com os cabrestos afinados e funcionando perfeitamente, caso contrário, o kite não funcionará corretamente, não renderá na sua totalidade.

2 – Um equipamento quando vem de fábrica, é preciso realizar algum ajuste?
Via de regra não, todos os kites vem regulados e ajustados perfeitamente conforme o fabricante, no entanto, vale uma checagem para conferir tudo. Já aconteceu do kite vir desregulado e não funciona, o velejador acha que é o vento ou a barra, e na verdade é o próprio kite que está desregulado.

3 – Com o uso frequente em treinos e competições, é indicado realizar o ajustes com qual frequência?
Isto depende muito do velejador, para quem compete vale checar a cada 30 horas, caso contrário, pode ser entre 40 a 60 horas.

4 – O que pode influenciar um lado das linhas estar diferente do outro, por mais que a diferença seja em 2cm, por exemplo?
Pode ter uma influência muito grande, um kite desregulado só de um lado fica fechando a ponta do kite, ou mesmo se forem nas linhas A, B ou C e tiver com 2cm é uma situação bem complicada, dará uma grande diferença, dependendo do bordo que o velejador estiver o kite pode até fechar no ar, pode colapsar.

5 – Em relação às linhas da barra, segue a mesma ideia de realizar ajustes frequentes?
Sem dúvida, os ajustes das barras são tão importantes quanto os ajustes dos kites. Mas o mais comum são os cabrestos, devido ao uso.

6 – Pensando no alto nível de competição mundial, em relação aos foils, que tipo de manutenção é preciso fazer?
Em alto nível de competição os atletas lixam seus foils, mas não com muita força ou com lixas que não sejam finas, é mais para tirar a gordura, um polimento apenas, nada muito bruto.

7 – Em relação ao tamanho das linhas usadas nos kitefoils, notamos que tem sido uma prática comum usarem linhas menores. Quais as vantagens e desvantagens?
É uma prática comum os atletas usarem as linhas bem curtas, o principal favorecimento nesta situação é que você consegue usar um kite maior e automaticamente você terá maior performance na velocidade. Claro que existem kites com um limite de linha que você nao consegue colocar linhas menores porque o kite não gira. Hoje em dia as linhas encurtaram bastante, e a maior virtude disto é conseguir um kite maior e nas transições de bordos e gybes fica mais fácil de você caminhar em cima da prancha com o kite te sustentando.

8 – Quais os tamanhos de linhas x tamanho dos kitefoils vocês tem usado?

Eu tenho usado linhas de 11, 12, 13, 15 e 17 metros.
Kite 21m – linhas 12, 15 e 17 metros
kite 9m – linhas 10, 11, 12 metros
kite 11m – linhas 10, 11 e 12 metros
kite 13m – linhas 11, 12 e 13 metros
kite 15m – linhas 11, 12, 13 e 15 metros
kite 19m e 21m – linhas 11, 12 e 13 metros

Kites com várias configurações

As regulagens são indispensáveis em competições !

 

9 – Em relação à barra, quais as modificações vocês recomendam para competir?
O que a maioria dos velejadores tem feito para mudar a barra original para uma barra de kitefoil é o tamanho do depower, a gente aumenta isto para que na hora do gybe e bordo facilite a transição, tendo mais um recurso na barra.

Sobre os ajustes nos Bridles, gravei este video para ilustrar melhor. Vale acrescentar os comentários do Pedro Marcos: A linha D é a mais importante no comportamento do kite, é a principal responsável pelos comportamentos estranhos que mais se notam. No manual da Ozone, todo ajuste que fizer na C vai ter que compensar na D. No entanto, se o kite tiver muitas horas de uso, a linha D estará super encolhida e provavelmente deverá ser trocada. As “orelhas” do kite a fechar estão diretamente ligadas com a incorreta dimensão de D. E, é importante comparar o speed system de um lado com o outro, por vezes temos os 2 bem trimados (alinhados) mas quando comparamos um com o outro têm dimensões diferentes, isso acontece em kites com bastantes horas.

Além disso, o nosso campeão sul-americano Bruno Lobo, informa: “Uso os ajustes dos bridles como um certo parâmetro. A Linha B mais curta em relação a A diminui o front stall, Linha C mais longa em relação a A melhora um pouco o popa e piora a orca. A linha D não mexo muito realmente, só aumento com uso para o kite voar mais leve no contravento e não ficar dobrando o bordo de fuga”

 

Bom velejo à todos e não se esqueça de ajustar o equipamento corretamente.

Comentários