Qual equipamento escolher para o kitefoil, pranchas, mastros e asas?

Esta é a parte 2 do artigo sobre a escolha dos equipamentos para a prática do Kitefoil (Leia a parte 1 em https://www.gokite.com.br/foil_race/qual-equipamento-escolher-para-o-kitefoil/). O objetivo é mostrar a alguns pontos relevantes sobre tamanhos de mastros, o uso de prancha com ou sem alça, devo usar asa curta ou longa, carbono ou alumínio, e ao final, qual tamanho de prancha usar?

Por que existem vários tamanhos de mastros?

Atualmente os fabricantes de mastros dispõem de diversos tamanhos, cada um com sua finalidade e está relacionado ao aprendizado. Quanto menor o mastro, mais fácil de aprender, então, comece com o pequeno, sinta a prancha saindo da água e flutuando, em seguida use o intermediário, e ao final use o maior. Isto facilitará a percepção de altura da água em relação a sua altura, mas o fato é que chegará um momento que você irá velejar olhando pra frente, e não para baixo para ver o quanto está perto ou longe da água. Já em mares com ondas, o mastro grande sempre facilita, senão ficará o tempo todo encostando na água, perdendo velocidade. No início, o mastro menor te dá mais confiança, pois está quase que grudado na água, qualquer problema basta 15 cm já encosta na água. Isto é uma questão de tempo apenas, prática e confiança que você aprenderá velejando.

Prancha com ou sem alça?

O fato que as alças te dão mais segurança não há dúvida, ainda mais se ajustadas corretamente na prancha, o que em velejos de performance faz uma grande diferença. Ajuste a pressão da alça para o seu pé e sugiro testar as diversas posições de encaixe na prancha. Como sabemos, na orça, quando você está com o corpo inclinado para trás, com a prancha a 45 graus, a pressão no pé traseiro é grande, a fim de espetar o bico na prancha na orça, e ao mesmo tempo, firmar o pé dianteiro para estabilizar a prancha é fundamental. Já no popa, o peso no pé dianteiro com alça te dará mais segurança, principalmente para manter a prancha sempre reta em relação a água. Enfim, quando pensamos em velejar com velocidade, usar alças é fundamental.

Fonte: www.kitefoilgoldcup.com

 

Já em outras situações como flutuar com o hydrofoil, dar uns jibes e ficar de toe-side, tudo isto sem velocidade, é válido não usar alças, tudo depende da sua habilidade. Atualmente existem pranchas super pequenas somente para diversão que não contém alças.

Fonte: https://www.f-one.world/product/kite/kitefoils/boards/foilboard-pocket/

E ao cair, os pés ficam presos nas alças? Via de regra não ficam, exceto se as alças estiverem esmagando os pés. Todo velejo é para frente, a vela está te puxando para cima a uma altura digamos de 60-70 cm, então, se por ventura você cair, a tendência do corpo é planar nos próximos metros até encontrar a água. Como a prancha irá travar e você será projetado para frente, os pés saem automaticamente das alças. Isto é o esperado, mas já vi tombos provocados pela quilha pegar numa madeira, num coco, em peixes, em rede de pescador, enfim, qualquer coisa possa desestabilizar o foil, e o resultado será um tombo. Por isto a importância de usar capacete e colete de impacto.

Outra vantagem de usar alça será nas manobras rápidas de jibe e cambada, pois você já sabe onde a alça está, bastando se deslocar para posicionar os pés no momento certo, respectivamente.

 

Asa curta ou longa, carbono ou alumínio?

Como existem diversos objetivos no hydrofoil, decidir pelo tamanho de asa correto o ajudará muito na evolução e aprendizado. O ideal é iniciar com uma asa grande e profunda, quanto maior a área de contato com a água, mais o sustentará, ou seja, você conseguirá flutuar com mais facilidade. No entanto, quanto maior o contato, menos velocidade. Sendo assim, o ideal é começar com uma asa grande, todas as escolas usam asa grande, é muito fácil de flutuar com elas.

E, como todo aprendizado e evolução, em seguida troque para uma asa média e depois para pequena. Vale experimentar todas para que você sinta na prática a diferença, é normal você estar velejando com uma asa grande, e de repente passa um velejador muito mais rápido que você, o que o faz pensar o motivo disto! Mesmo velejadores experientes velejando com asa grande ou média, ficarão atrás de outros com asas menores ou as chamadas asas de velocidade. Isto é fato, não adianta querer andar tão rápido que não conseguirá, é uma questão física.

Da mesma forma podemos pensar nas manobras, no jibe, na cambada, no toe-side, uma asa maior é indicada para um velejo mais lento, mais fácil de manobrar e treinar. Cabe ressaltar que isto é apenas uma referência, está diretamente relacionado à habilidade do velejador.

Sendo assim, concluímos que para o aprendizado é um certo equipamento e para velocidade é outro, faça o teste, experimente, treine o seu cérebro para uma asa de velocidade para assimilar o quão rápido a água passará.

Já o uso de materiais de alumínios ou carbonos, se possível opte pelo carbono, pois o material é mais leve que o alumínio, proporcionando mais velocidade. Atualmente há fabricantes que usam a fuselagem e o mastro de alumínio com asa e estabilizador de carbono, sendo uma boa combinação também. Ambos materiais requerem cuidados no transporte, após o velejo sempre lave-os com água doce, principalmente os parafusos e conexões.

Fonte: www.kitefoilgoldcup.com

 

Qual tamanho de prancha usar?

Muitos fabricantes de pranchas de kitefoil tem inovado com formatos diferentes, pranchas com frente em formato de ponta, larguras diferentes, mais peso na frente, traseira redonda ou reta, laterais com ângulos diferentes para não impactar no contato com a água na orça, espessura da prancha, enfim, o importante é você escolher uma opção em relação ao seu peso, ao volume (em litros), ao seu objetivo (velocidade ou apenas se divertir) e a resistência do material.

 

Fonte: www.kitefoilgoldcup.com

 

Espero que com as dicas dos dois artigos sobre equipamentos você consiga evoluir no kitefoil, seja persistente no aprendizado, requer muito treino e prática, testar novas combinações de ajustes para adequar ao seu objetivo e perfil é fundamental.

 

Renato Haddad é velejador de Hydrofoil, sup, canoa havaiana e bike

 

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