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Bruna Kajiya tem muitos motivos para comemorar

A campeã mundial celebra a realização do inédito Back Side 315 e a evolução do kite feminino!

Bruna Kajiya tem muitos motivos para comemorar este aniversário. Completou nesta quinta-feira 29 anos, sendo 11 como atleta profissional do kitesurf. Campeã mundial em 2009, Bruna leva como objetivo ‘elevar o nível do kitesurf feminino’.

Como veterana no esporte, Bruna tem tido bastante sucesso nessa missão. Ela foi a primeira mulher a conseguir aterrissar o complicado Back Side 315, que consiste em um giro de 540 graus no ar com dois passes de barra pelas costas antes de pousar.

No vídeo que lançamos agora (assista acima), Bruna conta sobre a saga para a realização dessa manobra. Ela viajou para a praia de Cumbuco, no Ceara, com este grande objetivo.

Foram tentativas exaustivas e fisicamente dolorosas até enfim aterrissar perfeitamente a manobra.“O processo para pousar essa manobra foi bem dolorido fisicamente. Muita porrada, muita queda. Mas foi um processo de evolução não só como atleta, mas também como pessoa”, conta. “No kite, não temos treinador. Você é quem tem que fazer esse papel. Tem que se conhecer muito bem, para saber até onde você pode ir, se vale a pena, qual é a hora de parar. Isso foi muito interessante”.

Agora Bruna está na África do Sul treinando e fazendo sessões de fotos. Em seguida vai para a Nova Zelândia com o mesmo propósito e sempre mantendo em mente a evolução do kite feminino. Por enquanto ela treina novas possíveis manobras inéditas e se prepara para o mundial que começa no mês de abril, na França.

Abaixo você lê a entrevista completa com Bruna Kajiya.

 

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Nesses 29 anos que você completa, o que considera ter sido sua maior conquista?

Nesses 11 anos que sou atleta profissional, acho que a minha maior conquista foi levar o kitesurf feminino para um nível mais interessante, mais radical. Quando comecei, o kitesurf feminino era bem tranquilo, quase não tinha manobra, ninguém queria assistir por esses motivos. E eu pensei ‘não, a gente consegue fazer manobras tão legais quanto os homens e vamos melhorar isso’. Eu e algumas outras poucas meninas começamos a fazer handle pass, outras manobras mais radicais, e hoje em dia o kitesurf feminino evoluiu muito. E continua evoluindo. E acho que ter pousado essa manobra é mais um passo dessa evolução”.

É mais um passo pra inspirar as mulheres. Era uma manobra que só os homens faziam. É pra mostrar que é possível, que podemos ter um nível técnico e de potência super altos.

E o maior desafio?
O maior desafio durante esse tempo foi o título mundial. Eu fui campeã mundial e foi uma jornada bem difícil, foi bem complicado chegar até lá. Ainda bem que durante esse tempo eu aprendi muito, evoluí muito e consegui esse título. Também é um dos pontos mais altos da minha carreira como atleta.
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No ano passado, você completou o inédito Back Side 315. Como foi o processo até acertar a manobra? Por que você decidiu tentar, como foi o treinamento e a preparação…
O processo pra pousar essa manobra foi um processo de…foi bem dolorido, fisicamente. Muita porrada, muita queda. Foi um processo de evolução não só como atleta mas também como pessoa, de saber a hora de me respeitar, de conseguir me escutar, de saber qual é a hora certa de fazer aquilo, por que aquele dia não é bom, por que é bom, até onde eu posso ir, até onde eu mesma posso me puxar, me motivar. No kite a gente não tem treinador, então você tem que ser seu próprio treinador. Você tem que se conhecer a tal ponto, se conhecer muito, pra saber até onde você pode ir, saber se vale a pena, qual é a hora de parar. Isso foi muito interessante.

O treino eu fiz em Cumbuco, melhor lugar do mundo pra velejar de kite, e por sorte é no Brasil. Pra mim isso é ótimo. Era um treino de ir e tentar mesmo. Ficar lá virando e depois das tentativas, cuidar das lesões, tirar alguns dias de descanso e tentar de novo. Foi tentativa e erro. Eu também faço bastante yoga, medito, pra preparar outras partes, preparar a mente pra conseguir ficar calma quando eu estivesse tentando. Fisicamente, foi treino na água mesmo.

Pra você, o que significa ser a primeira mulher a realizar essa manobra?
Pra mim, ter pousado essa manobra e ter sido a primeira mulher a executá-la significa mais um sonho realizado dentro do esporte. Que é querer aumentar o nível feminino, trazer inspiração para as mulheres e eu acho que isso não tem preço.

Quais os próximos planos? Tem mais alguma manobra em mente pra tentar em breve?
Eu estou na África do Sul, treinando aqui e fazendo fotos. Daqui vou para a Nova Zelândia para mais uma sessão de fotos. Agora estou mais focada nisso mesmo, fazer fotos e treinar para o mundial deste ano. Com certeza espero pousar manobras novas. Já tenho algumas na cabeça, mas não vou mencionar porque essas coisas, dentro do kite, melhor não falar, se não todo mundo começa a tentar a mesma manobra. Mas, sim, tenho planos e espero fazer mais uma nova manobra este anou para inspirar ainda mais as mulheres a irem pelo caminho do double handle pass.

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Acesse ao novo site da atleta !

htto://www.brunakajiya.com.br

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